Nasce um maestro: José Leonardi

Retrato de Leonardi (acervo do Museu de Porto
Alegre, em reprodução de Zeca Oliveira)
Num dia 12 de maio, mas em 1880, num pequeno povoado da Sicília, chamado Mascalucia,  ao pé do vulcão Etna, nascia Giuseppe Leonardi, filho de Mario Leonardi e Giuffrida Grazzia. É tudo o que se sei de suas origens familiares.

As regiões do Sul da Itália (a Sicília entre elas) possuem até hoje forte tradição de bandas, civis e militares. Não é surpreendente, por isso, que aos 26 anos Giuseppe tenha se diplomado como professor de instrumentação para banda no Conservatório de Música Vincenzo Bellini, da cidade de Palermo. Sabe-se que permaneceu por algum tempo na Sicília e chegou a dirigir a banda municipal de Naso.  

Aos 30, já casado, emigrou para a América do Sul com a esposa e quatro filhos, vindo a se estabelecer em Assunção, de cuja banda tornou-se regente. Ali, o casal teve mais três filhas antes de se transferirem para Buenos Aires (em 1917), onde Leonardi passou a lecionar no Conservatório Municipal, atuando também como solista da banda municipal local. Lá seria recrutado para dirigir a nova Banda Municipal de Porto Alegre, onde desembarcou em novembro de 1925. 

Com exceção de alguns períodos em que se afastou do cargo, entre 1934 e 1939 (quando residiu no Rio de Janeiro), Leonardi esteve à frente da Banda de Porto Alegre até sua aposentadoria, em 1950; retornando em 1952 por alguns meses para substituir interinamente seu sucessor, Júlio Oscar Grau, que falecera. Atuou aqui também como docente (o compositor Leo Schneider foi seu aluno), regeu o Orfeão Rio-Grandense e o coro da Catedral. 

Faleceu no dia 3 de junho de 1957, deixando viúva a cantora Margit Spitteller, sua segunda esposa; e o filho mais novo Benito, nascido no Rio. Em necrológio no Jornal do Dia João de Souza Ribeiro escreveu que ele era “possuidor de todas as virtudes dos mestres italianos”, mas “sem os defeitos comuns aos temperamentais regentes mediterrâneos”; e que se impunha pela competência aos seus subordinados, sem rispidez, mantendo sempre a disciplina em alta. 

Como regente, cabia a Leonardi a confecção de arranjos, dos quais 71 se encontram preservados no acervo do Arquivo Histórico de Porto Alegre. Há também 32 composições próprias, que a Banda executava com frequência. Os programas de concertos mencionam outras tantas, cujas partituras não foram localizadas. Não há notícia de que qualquer dessas obras e arranjos tenham sido executadas após sua morte. A extinção da Banda em 1963, após longa crise, contribuiu para que ele fosse esquecido. Até o local onde ele produziu tanta música, o antigo Auditório Araújo Vianna (junto à Praça da Matriz) foi varrido do mapa.


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