A Banda, a Semana Santa e a música sacra

O compositor italiano Lorenzo Perosi
(1872-1956)

Muito embora a especialidade da "segunda" Banda Municipal (reorganizada em 1926) fossem os arranjos de óperas, principalmente italianas  - afinal, dois terços dos seus integrantes eram italianos natos - abria-se exceções em ocasiões especiais. Uma delas eram os feriados nacionais, em que se executava músicas "características", ou seja, mais populares e/ou animadas, incluindo marchas polcas ou habaneras,  geralmente estrangeiras; músicas de operetas e filmes; ou obras de compositores brasileiros e até do próprio maestro, José Leonardi (1880-1957). Era o caso dos domingos de Páscoa. Os concertos aconteciam tradicionalmente às quartas e domingos.

Parte da música de Leonardi (AHPAMV)
Aos poucos se introduz a música sacra nos concertos da Semana Santa, com destaque para o compositor italiano Lorenzo Perosi (1872-1956). Assim, no primeiro Domingo de Páscoa após a reativação da Banda, em 17 de abril de 1927, quando esta tocou um arranjo de trecho(s) de seu oratório La risurrezione di Cristo (1898). Perosi, à época em plena atividade como maestro da Capela Sistina no Vaticano, já famoso na Itália e fora dela, foi o mais prolífico compositor de música sacra do Século XX. A mesma obra será executada regularmente nos anos seguintes. Em 1928, será na quarta-feira ("das trevas"), juntamente com a Preghiera (oração), obra de Leonardi composta em memória de Beethoven, por ocasião do centenário de sua morte, em 1927.

O primeiro programa inteiramente sacro
Já em 1932, o concerto do Domingo de Páscoa será praticamente só com música sacra, com três peças de Perosi. A partir do ano seguinte, porém, talvez para proporcionar um clima mais alegre no dia da ressurreição de Cristo, os programas desse dia passarão a ter músicas "características", fixando-se os programas sacros nas quartas.

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